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Saúde/PARANÁ

HNSG realiza procedimento inédito no Paraná para substituir válvula do coração sem cirurgia aberta

Procedimento utilizou tecnologia Evoque e contou com a participação de especialistas da Alemanha, marcando um avanço na cardiologia intervencionista do Estado

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Imagem: Divulgação

COM ASSESSORIAS - O Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), de Curitiba, realizou um procedimento inédito no Paraná para tratar uma doença grave da válvula do coração. Pela primeira vez no Estado, foi realizada a substituição transcateter da válvula tricúspide com o sistema Evoque, tecnologia recentemente aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A técnica permite implantar uma válvula artificial por meio de um cateter, um tubo fino e flexível introduzido por uma veia na região da virilha e conduzido até o coração. Dessa forma, o procedimento dispensa a abertura do tórax e a necessidade de interromper os batimentos cardíacos, etapas que podem fazer parte de uma cirurgia cardíaca convencional.

Embora seja minimamente invasiva, a intervenção exige planejamento detalhado e uma equipe altamente especializada. O procedimento foi conduzido pelo cardiologista intervencionista, Dr. Danilo  Taiguara Ramos Gomes; com a participação do Dr. Álvaro Moura, também cardiologista intervencionista; do Dr. Remulo Hauen, cirurgião cardíaco; do Dr. Guilherme Rehme, anestesista; e do Dr. Lucas Borges, ecocardiografista, que fazem parte do Heart Team do HNSG. A equipe também contou com a colaboração de médicos especialistas de São Paulo e da Alemanha, promovendo o compartilhamento de experiências na realização desse procedimento de alta complexidade.

“A participação de especialistas de diferentes centros e países também contribuiu para a troca de conhecimento e para a realização segura de uma técnica que ainda está começando a ser utilizada no Brasil”, explica o cardiologista intervencionista Dr. Danilo Taiguara Ramos Gomes, responsável pelo procedimento.

Nova alternativa para uma doença grave

A paciente submetida ao procedimento apresentava insuficiência tricúspide grave, condição em que a válvula não se fecha adequadamente, permitindo que parte do sangue retorne e provoque uma sobrecarga no coração. Com a evolução da doença, pode ocorrer acúmulo de líquidos e o comprometimento de órgãos, como rins e fígado.

Entre os sintomas estão falta de ar, cansaço intenso e inchaço nas pernas e no abdomen, comprometendo significativamente a qualidade de vida. “Esses pacientes podem apresentar uma limitação muito grande para atividades simples do dia a dia. O tratamento busca justamente corrigir o problema da válvula e permitir que o paciente tenha mais autonomia e qualidade de vida”, explica o médico.

Antes da intervenção, a equipe realizou uma avaliação detalhada dos exames da paciente, incluindo ecocardiograma e tomografia, para definir a estratégia mais adequada.

“É importante deixar claro que não estamos falando de uma cirurgia convencional. A grande inovação está justamente em conseguirmos chegar até a válvula por meio de um cateter, implantar uma nova válvula e realizar todo o procedimento com o coração funcionando”, destaca Dr. Danilo.

Como é possível substituir uma válvula sem abrir o tórax?

A válvula artificial é transportada dobrada dentro de um cateter, introduzido por uma veia na região da virilha. O dispositivo percorre os vasos sanguíneos até chegar ao coração.

Com o auxílio de exames de imagem, os médicos acompanham o trajeto e posicionam a prótese no local adequado. Em seguida, a válvula é liberada e expandida, passando a desempenhar a função de controlar o fluxo sanguíneo. O procedimento exige precisão e planejamento para garantir o posicionamento adequado da prótese.

A importância da válvula tricúspide

O coração possui quatro válvulas, estruturas que funcionam como portas e controlam a passagem do sangue entre suas diferentes cavidades.

Localizada no lado direito do coração, a válvula tricúspide permite que o sangue siga na direção correta. Quando apresenta insuficiência grave, parte do sangue retorna, aumentando a sobrecarga cardíaca e podendo provocar repercussões em diferentes órgãos.

Historicamente, a válvula tricúspide ficou conhecida como a “válvula esquecida” do coração, expressão associada aos desafios do diagnóstico e do tratamento de suas doenças. Em casos graves, a cirurgia convencional pode representar um risco elevado para determinados pacientes.

O desenvolvimento de técnicas transcateter amplia as possibilidades terapêuticas e oferece uma alternativa para pacientes selecionados, conforme avaliação individualizada da equipe médica.

Pioneirismo no Paraná

A realização do procedimento reforça a atuação do Hospital Nossa Senhora das Graças em tratamentos de alta complexidade e na incorporação de novas tecnologias à cardiologia intervencionista.

O uso desse sistema para a substituição transcateter da válvula tricúspide representa um avanço nas possibilidades de tratamento de pacientes com insuficiência tricúspide grave, especialmente daqueles para os quais a cirurgia convencional apresenta riscos elevados.

Além da tecnologia, a participação de especialistas nacionais e internacionais evidencia a importância do trabalho integrado entre diferentes áreas médicas no planejamento e na execução de procedimentos complexos.

“É uma grande inovação médica e tecnológica, mas principalmente uma nova possibilidade para pacientes que antes tinham poucas alternativas de tratamento. Poder oferecer essa tecnologia e reunir diferentes especialistas para realizar o procedimento é muito importante”, afirma Dr. Danilo.

Após cinco dias de internação, paciente de 87 anos recebe alta

Aos 87 anos, Lucy Benthien Cavivhiolo recebeu alta hospitalar após cinco dias de internação. Ela relata que, antes do procedimento, enfrentava dificuldades até para caminhar e se alimentar devido à falta de ar. Agora, comemora a recuperação e a melhora na qualidade de vida.

“Eu sentia muita falta de ar, quase não conseguia andar e não queria nem comer. Felizmente, minha cirurgia e minha recuperação foram um sucesso. A equipe foi muito eficiente e me deixou bem calma. Estou me recuperando maravilhosamente bem, me sentindo outra pessoa. Parece que eu nasci outra vez”, relata Lucy.