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Saúde

Carnaval: diversão tem que combinar com prevenção

Uso de preservativos, vacinas e exames diagnósticos são fundamentais para a saúde

Carnaval: diversão tem que combinar com prevenção
(Lidia Muradas)
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COM ASSESSORIAS - Dizem que amor de Carnaval é fantasia e dura poucos dias, mas se o ditado é realidade para a maioria ou não, o fundamental é que o feriado não seja motivo de transtornos futuros. A diversão do momento, embalada por festas, maior oportunidade de relacionamentos e uso de bebidas alcoólicas, faz com que homens e mulheres sejam menos cuidadosos durante as relações sexuais e, consequentemente, aumente a disseminação de doenças e infecções sexualmente transmissíveis (IST).

“O uso de preservativo masculino ou feminino em todas as relações sexuais e a redução do número de parceiros ainda é a melhor forma de prevenir as IST”, comenta a professora livre docente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Silvana Quintana. A médica destaca ainda outras formas de prevenção, como vacinas para o HPV (Papiloma Vírus Humano) e hepatite B, e exames diagnósticos. “Mesmo com a vacinação, o uso de preservativos não deve ser descartado, pois previne outras infecções. A detecção precoce dos agentes causadores de IST também é uma forma de prevenir, pois interrompe a cadeia de transmissão. Sem falar que tratamentos têm melhores resultados quanto antes forem iniciados”, completa.

A possibilidade de realizar a profilaxia pós-exposição ao vírus HIV tem sido apontada por especialistas como um dos motivos para a queda da prevenção entre jovens e adultos. A Aids é uma das doenças que mais assusta, porém, outras IST também podem causar sérios danos à saúde, principalmente por serem assintomáticas e receberem diagnósticos tardios.

Causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, a clamídia é a IST mais comum no mundo. Corrimento amarelado e espesso, dor abdominal e queimação ao urinar são alguns dos sinais. No entanto, a doença é assintomática para cerca de 80% das mulheres. O risco está na grande probabilidade de propagação e na possibilidade de parto prematuro, complicações e até morte do bebê durante a gestação. Já a sífilis apresenta três estágios, com agravamento do risco conforme evolução. No início, costuma apresentar lesões como caroços rosados que geralmente desaparecem em algumas semanas. A infecção, no entanto, permanece latente e pode voltar a se manifestar e agravar a qualquer momento.

O herpes genital pode se tornar uma herança para a vida toda: não tem cura, apenas tratamento para as crises, geralmente desencadeadas por diminuição da imunidade ou estresse. Também da família herpes e catapora, o citomegalovírus (CMV) é um vírus que pode ser contraído por meio da relação sexual. A doença apresenta grandes riscos para o feto cuja mãe foi infectada na gravidez, pacientes imunossuprimidos e transplantados.

A hepatite B também é uma IST porque o vírus está presente no sangue e esperma. Afeta principalmente o fígado e os sintomas podem demorar até seis meses para aparecer. A boa notícia é que a doença pode ser prevenida com vacina. Outra infecção de transmissão sexual bastante frequente em todo o mundo é o Papiloma vírus humano (HPV) e a forma mais eficaz de prevenção também é a vacinação, que protege contra os principais tipos do vírus e deve ser administrada, preferencialmente, antes do início da atividade sexual.

O perigo também pode estar num simples beijo. O contato direto com uma saliva contaminada pode transmitir o vírus Epstein-Barr (EBV) e causar a mononucleose, também conhecida como a doença do beijo. Ela causa mal-estar, febre, dores de cabeça e garganta, ínguas e hepatite leve. Em pacientes imunossuprimidos ou transplantados, pode gerar graves complicações.

Exames como agentes de prevenção

“Se o paciente tiver se exposto ao risco, o ideal é que procure um médico imediatamente para realizar exames diagnósticos e receber acompanhamento. Hoje em dia, podemos contar com testes moleculares que apresentam resultados mais rápidos e mais precisos”, alerta a ginecologista.

Exames moleculares conseguem detectar patógenos em amostras de locais onde nem sempre o agente infeccioso é percebido com facilidade, o que confere maior precisão nos resultados e avaliação de uma ampla gama de agentes infecciosos em uma única amostra. “Testes baseados na tecnologia de PCR em tempo real podem detectar, em alguns casos, o DNA do agente patológico mesmo que a pessoa não tenha desenvolvido a doença. Além disso, os resultados costumam ficar prontos em algumas horas”, revela o responsável pelo laboratório da Mobius Life Science, Lucas França. Resultados rápidos garantem tratamento precoce e ajudam a impedir que a doença seja transmitida para outros parceiros.

A ginecologista também alerta para a eficácia dos exames moleculares na detecção precoce do HPV, o que consequentemente ajuda a prevenir a doença pré-câncer de colo uterino: “Vale ressaltar que no início da vida sexual da mulher a infecção por HPV é muito frequente, porém sua incidência reduz significativamente após os 30 anos. O ideal é realizar os testes de biologia molecular apenas em mulheres mais velhas, evitando assim resultados positivos e intervenções desnecessárias antes do recomendado”, comenta Dra. Silvana.

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