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Galeria Virtual Schimaneski promove acessibilidade e inclusão do público PcD

Plataforma digital reúne 18 obras premiadas do artista com recursos de audiodescrição, produzidos por consultoras em acessibilidade e revisados por uma profissional cega

Galeria Virtual Schimaneski promove acessibilidade e inclusão do público PcD
(Imagem: Divulgação)
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COM ASSESSORIAS - Com mais de 500 obras produzidas, o artista ponta-grossense Marcelo Schimaneski é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos grandes nomes da arte naïf brasileira. Suas telas, marcadas pelos traços simples e pelas cores vibrantes, já circularam por países como Estados Unidos, Alemanha, França, Austrália, Canadá, Turquia e Noruega, além de integrarem exposições, bienais, livros e catálogos pedagógicos. Agora, 18 obras premiadas do artista em concursos paranaenses e nacionais foram selecionadas para compor a Galeria Virtual Schimaneski, uma experiência inovadora na exposição de obras de arte nos Campos Gerais por reunir recursos voltados à acessibilidade e à inclusão.

Marcelo Schimaneski destaca que, além de facilitar o acesso de pessoas com mobilidade reduzida, a galeria virtual conta com recursos de audiodescrição - produzidos por consultoras em acessibilidade e revisados por uma profissional cega - e tradução em Libras, permitindo que pessoas com deficiência visual e auditiva possam apreciar as obras com autonomia. “Fico feliz em saber que outras pessoas com deficiência terão essas ferramentas à disposição. Valorizo muito essas iniciativas de inclusão, até porque faço parte de um grupo que enfrenta dificuldades de mobilidade”, enfatiza. Ele acrescenta que, na galeria virtual, a experiência é mediada por recursos digitais, áudio e ferramentas de acessibilidade. “Apesar de muitas obras terem diferentes significados e cada espectador construir sua própria leitura, penso que essa mediação facilitará a compreensão dessas interpretações”, afirma.

De acordo com o artista, quando uma pessoa com deficiência consegue acessar plenamente uma exposição de arte, o processo deixa de ser apenas inclusão e passa a representar pertencimento cultural. “As limitações enfrentadas por uma pessoa com deficiência podem dificultar sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições. Por isso, todo investimento em inclusão é bem-vindo. Para mim, é um orgulho participar deste projeto, porque, devido à minha condição de mobilidade, conheço de perto as dificuldades enfrentadas por esse público”, frisa. Ele acredita que a iniciativa também contribui para promover conscientização e autonomia. “Depois de visitar a galeria virtual, gostaria que as pessoas com deficiência levassem consigo a sensação de pertencimento e se sentissem motivadas com a própria vida”, salienta.

O projeto que deu origem à Galeria Virtual Schimaneski foi aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná para receber recursos do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura. A produção executiva é da ABC Projetos Culturais.

Acessibilidade e inclusão

“Acredito que seja imprescindível pensar em acessibilidade neste projeto, uma vez que o próprio artista é uma pessoa com deficiência”, pontua Natasha Dias, curadora da galeria virtual ao lado de Marcelo Schimaneski. Ela destaca que a plataforma digital conta com tecnologias assistivas e recursos inclusivos, proporcionando uma experiência acessível e simultânea para diferentes públicos. “Por meio da internet, a arte consegue ultrapassar barreiras geográficas e se tornar acessível em qualquer lugar do mundo. Isso beneficia, inclusive, pessoas com pouca ou nenhuma mobilidade que vivem na região, além de escolas e instituições que podem acessar a exposição coletivamente sem precisar sair do ambiente estudantil”, exemplifica. Natasha acredita que iniciativas como essa, voltadas à inclusão e à democratização do acesso, representam um importante exemplo para futuros projetos culturais no Brasil.

Quem é Marcelo Schimaneski?

Natural de Ponta Grossa, Marcelo gostava de desenhar desde pequeno e chegou a fazer cursos de desenho artístico durante a juventude. Em 1989, trabalhava prestando assistência técnica para máquinas de serraria nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina quando, ao retornar de uma dessas viagens, perdeu o controle do carro e capotou. Quando recobrou os sentidos, descobriu que havia sofrido uma lesão na coluna cervical e estava paralisado do pescoço para baixo. Foi nesse momento que encontrou na pintura uma forma de reabilitação, ajudando na recuperação dos movimentos dos braços e das mãos. O início, porém, não foi fácil. As limitações motoras dificultavam os movimentos, as tintas caíam, as roupas se sujavam e a frustração frequentemente falava mais alto.

Marcelo passou um longo período afastado das telas, e a arte só voltou a fazer parte de sua vida em 2004, 15 anos após o acidente. Com o tempo, desenvolveu uma técnica própria, segurando o pincel com as mãos em formato de concha e explorando cada limite que seu corpo permitia alcançar, muitas vezes virando a tela de ponta-cabeça para continuar pintando. Suas obras costumam retratar o campo, as paisagens rurais, as cenas do cotidiano, as memórias afetivas e as lembranças da infância. O artista encontrou na pintura uma forma de superação e expressão, construindo pouco a pouco o seu espaço no mundo da arte. Com o passar dos anos, seu talento ganhou reconhecimento nacional e internacional, e hoje Marcelo Schimaneski é considerado um dos principais representantes da arte naïf no Brasil.

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