Correio dos Campos

Uso da Cannabis Medicinal no tratamento do câncer causa dependência?

No Dia Mundial do Câncer, 4 de fevereiro, médica explica porque a Cannabis Medicinal deve ser usada no tratamento da patologia
4 de fevereiro de 2021 às 11:46
(Foto: Divulgação)

COM ASSESSORIAS – Fevereiro tem duas datas importantes no calendário mundial da saúde: dias 4 e 15.

O Dia Mundial do Câncer e Dia Mundial do Câncer Infantil, respectivamente, objetivam aumentar a conscientização das pessoas para a doença. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 7,6 milhões de pessoas no mundo morrem em decorrência do câncer a cada ano. Uma vez diagnosticado precocemente a possibilidade de cura é maior, mas o tratamento é um caminho que pode ser longo e os efeitos no organismo os mais variados, assim como a reação de cada paciente.

Para a expert em Medicina Integrativa e cannabis medicinal, Ailane Araújo, uma das formas de amenizar os sintomas do tratamento dos cânceres, tanto em adultos quanto em crianças, é usando produtos à base de cannabis medicinal, já comercializados no Brasil, ainda que com pouca variedade, ou através do processo de importação, que ainda levam a muitas dúvidas por falta de conhecimento em relação à eficácia, segurança e dependência.

A médica explica que o Canabidiol (CBD) e Tetrahidrocanabinol (THC) são substâncias encontradas em concentrações diferentes nos quimiotipos da planta Cannabis sativa, e que na maconha está presente, em altas concentrações, o Tetrahidrocanabinol (THC) e baixo teor de Canabidiol (CBD), sendo responsável pelos efeitos alucinógenos. Quando falamos em tratamento medicinal intenção é utilizar os princípios medicinais da planta sem o efeito alucinógeno do Tetrahidrocanabinol (THC).

“A cannabis é discriminada por não ter o olhar medicinal, pela falta de conhecimento de como essa planta é uma das poucas que atua diretamente no nosso organismo, ajudando a promover o equilíbrio dos diversos sistemas do nosso corpo. Ela foi uma das primeiras plantas a serem domesticadas, utilizada para agricultura e para fins alimentares. Além disso, antigamente a cannabis era usada pela indústria têxtil e sabemos que com ela podemos fazer mais de três mil produtos como roupa, sapatos, óleos, biocombustíveis, componentes para carros, entre outros”, conta.

Segundo a médica, a cannabis é uma opção eficaz e segura para ajudar os pacientes a lidar com os sintomas relacionados à malignidade do câncer como náusea, vômito, distúrbios do sono, dor, ansiedade e depressão. “Em um cenário em que o médico geralmente prescreve um medicamento para cada sintoma, a cannabis se torna uma opção terapêutica desejável. Ela pode ser considerada não apenas um complemento ou uma alternativa a um controle específico de sintomas, mas sim uma abordagem geral à qualidade de vida”, afirma.

Em relação a dependência no uso da Cannabis medicinal por uma pessoa que é curada do câncer ou outra doença, a médica assegura que ninguém ficará dependente. Explica ainda que diferente de outras medicações onde é necessário um “desmame” (retirada lentamente da medicação), no caso da cannabis a interrupção pode ocorrer a qualquer momento.

Por que usar a cannabis?

De acordo com a médica, “a cannabis reduz a carga dos sintomas do paciente, dando mais qualidade e uma vida mais digna ao paciente, fazendo com que ele consiga viver e não sobreviver”, diz, reforçando que “não são raras as vezes em que o paciente tem a redução ou até mesmo o extermínio do tumor”.