Correio dos Campos

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA – 13 de maio é comemorado no Tia Inália, em Tibagi

15 de Maio de 2017 às 20:46

A comunidade afrodescendente de Tibagi foi homenageada no sábado, 13 de Maio, data da Abolição da Escravatura no Brasil, com um café nostálgico e exibição de um filme, no Teatro Tia Inália, em Tibagi. A Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMC), através do Departamento de Cultura, realizou, em parceria com o Museu Histórico Edmundo Mercer Júnior, o evento para comemorar 129 anos do fim da escravidão. O evento foi pensado a partir de uma comemoração realizada 29 anos atrás, na igreja matriz e no Clube Estrela da Manhã. Um filme retratando o 13 de maio de 1988 foi exibido no teatro como forma de lembrar o movimento afrodescendente da época.  Para o cartorário Célio Zapzalka, produtor do vídeo, é uma emoção muito grande voltar no tempo e reviver aquele momento. “Esse documentário foi feito há 29 anos. Muitas pessoas que aparecem ali já nos deixaram. Considero o 13 de maio uma data que precisa ser comemorada a vida inteira, é uma data muito importante”, avaliou Zapzalka.

O prefeito Rildo Leonardi também ficou emocionado com o conteúdo do documentário e reforçou que a cultura afrodescendente em Tibagi precisa cada vez mais ser evidenciada e resgatada para que permaneça na história do município como um movimento importante para o desenvolvimento da cidade. “Hoje é um dia muito importante. Ainda existe muita desigualdade e precisamos quebrar essas barreiras. Ensinar nossos filhos que a igualdade é o único caminho para uma sociedade mais justa e igualitária. Tenho que agradecer a essas pessoas que tanto contribuíram para o crescimento do nosso município”, analisou.

Para Maria Olímpia Taques, descendente de escravos, o momento é de reflexão e de luta contra a discriminação. “Meus avós eram escravos, ela veio de São Paulo e ele trabalhava com o senhor Artur Taques, que depois deu sobrenome para ele, então o nosso sobrenome vem daí. Ela nasceu 1870 e 1850, eram escravos. Viveram a abolição, casaram tiveram 10 filhos. Eles eram muito alegres. A festa no Clube Estrela e a missa na igreja naquele ano de 1988 ainda são muito vivas na memória das pessoas. A gente houve falar até hoje. Todas as famílias negras participaram, fizeram uma festa muito bonita. É muito gratificante ver que ainda existe força nesse movimento. É um processo de resistência”, disse.

O diretor do Museu do Garimpo, Nery Assunção, um dos organizadores do evento, também acredita que o movimento afrodescendente em Tibagi ainda é muito forte. “Todo esse trabalho mostra a força do negro na história da cidade. Evidencia os 80 % da população negra de Tibagi e como eles contribuíram para a construção da nossa cultura”, explica .

A programação continua com a exposição itinerante, intitulada Reflexão, que deverá percorrer o Museu do Garimpo e as instituições bancárias da cidade até dia 21, quando termina a Semana Nacional dos Museus, que começou nesta segunda-feira (15). “ A gente inseriu nessa programação a Semana Nacional do Museu. O museu participa há mais de dez anos dessas comemorações, já está inserido no Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).  De 15 a 21 vamos trabalhar com essas exposição, Reflexão,  que mostra todo esse movimento negro na cidade desde a chegada dos colonizadores”, afirmou Nery.

Para o gerente do Departamento de Cultura, Sidnei Bielski, a comemoração desta data não poderia ficar de fora do calendário cultural da cidade. “É uma data que precisa ser comemorada sempre. Foi um esforço conjunto e que resultou nessa maravilha que todos puderam acompanhar hoje. Quero parabenizar toda a equipe e os envolvidos para a realização desse grande momento”, disse.