Profissional que atua na linha de frente da Covid-19 diz ter sofrido preconceito após testar positivo para doença: 'Falta de empatia'
Sueli dos Santos trabalha em uma UBS de Castro e no Hospital Regional de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. Técnica em enfermagem relata ter sido alvo de notícias falsas.

Uma técnica em enfermagem que atua na linha de frente da Covid-19 nas cidades de Castro e Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná, diz ter sido alvo de comentários preconceituosos após testar positivo para a doença.
Sueli Aparecida dos Santos trabalha no Hospital Regional de Ponta Grossa e também em uma Unidade Básica de Saúde de Castro.
Ponta Grossa e Castro somam juntas 22 casos da Covid-19. Em todo o Paraná são 1.627 diagnósticos e 101 mortes causadas pela doença, segundo boletim da Secretaria Estadual da Saúde desta quarta-feira (6).
A técnica em enfermagem foi diagnosticada com o coronavírus no fim de abril, após um exame feito em um laboratório particular.
Sueli conta que assim que algumas pessoas souberam que ela estava infectada começou a receber mensagens preconceituosas.
A técnica disse ainda que uma foto dela vacinando uma criança circulou pelas redes sociais, dizendo que ela estava trabalhando infectada, o que não é verdade, segundo ela.
"A pior coisa que existe é preconceito do povo. Quando descobriram, começou no meu telefone, mandando 'enfermeira infectada'. A parte emocional foi a pior", contou.
A profissional da saúde diz não saber ao certo como se contaminou com o vírus. Sueli conta que tomava todos os cuidados para evitar o contágio. Mesmo assim, recebeu mensagens de pessoas dizendo que ela havia buscado pelo vírus.
"A gente tá na linha de frente, a gente não sabe se a pessoa tá com o vírus ou não. Ninguém vai buscar vírus, essa falta de empatia foi a pior parte para mim", disse.
Sintomas
Sueli está afastada do trabalho desde que começou a sentir os primeiros sintomas. A técnica de enfermagem conta que estava de folga quando começou a sentir dores de cabeça.
"Desde a contaminação não foi fácil, pelas dores, cefaleia intensa, dor no corpo. O pior de tudo foi ficar sem sentir cheiro, sem sentir gosto. Outros sintomas, tipo febre e tosse, eu não tive", contou.
Preocupada, a técnica em enfermagem entrou em contato com uma médica amiga, que sugeriu que ela procurasse por uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
O primeiro teste rápido apontou negativo. No entanto, Sueli fez um segundo exame em um laboratório privado, que confirmou o diagnóstico.
"A dor é como se você fosse espancado inteiro, mas hoje já tá bem melhor, estou começando a sentir cheiro, já senti o gosto do meu café", contou.
A profissional está isolada em casa com a família, que não apresentou nenhum sintoma da doença. Agora, Sueli aguarda ser considerada recuperada da doença para poder voltar a atuar na linha de frente.
"Eu quero voltar e vou voltar. É a minha profissão, eu trabalho por amor, jamais pensei ficar longe disso. É o meu trabalho e vou fazer ele com carinho."
