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Ponta Grossa recebe espetáculo sobre exaustão materna que vem mobilizando e conectando o público pelo Paraná

Texto contemporâneo, com direção de Luciana Navarro, “Não Me Chame de Mãe” traz a atriz Carolina Damião na pele de Elisa, mergulhada em um drama reconhecível para muitas mulheres

Ponta Grossa recebe espetáculo sobre exaustão materna que vem mobilizando e conectando o público pelo Paraná
(Imagem: @euanahenriques)
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COM ASSESSORIAS - Nos dias 24, 25 e 26 de abril, o espetáculo "Não Me Chame de Mãe" ocupa o Cine Teatro Ópera Auditório B em suas últimas apresentações desta Circulação. A narrativa é sensível e contundente: conta a história de uma mãe solo que conquista uma rara hora livre quando o genitor de sua filha cumpre, pela primeira vez, o horário estabelecido de convivência com a criança. Diante dessa pausa inesperada, Elisa (Carolina Damião) se vê frente a frente com a possibilidade de escolher o que fazer com o próprio tempo — resolver pendências acumuladas ao longo dos anos ou, simplesmente, descansar.

O espetáculo, com apresentações gratuitas, vem consolidando uma trajetória de forte adesão do público ao longo de sua circulação pelo Paraná. Em Curitiba, integrou a programação da CAIXA Cultural, com lotação máxima nos três dias de apresentação. Na sequência, passou pelos SESCs de Maringá e Londrina, como parte da programação do SESC Mulheres 2026, e por fim, em Cascavel, reunindo um grande público e reafirmando o interesse do público pelo tema em diferentes cidades do estado. É um projeto aprovado no edital de Circulação Paraná da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura – Governo Federal.

“Não Me Chame de Mãe” provoca, acolhe e desperta riso sem romantizar a maternidade. A obra dialoga diretamente com mulheres que reconhecem, em Elisa, diferentes camadas de suas próprias vivências — inclusive aquelas que não são mães. Essa identificação ganha força em um dos momentos mais marcantes da encenação, quando a personagem lança a pergunta: “Você já viu sua mãe descansando?”

A dramaturgia nasceu de um processo de escuta ampliada. O espetáculo foi desenvolvido ao longo de dois anos pela diretora Luciana Navarro e pela atriz Carolina Damião, ambas mães solo que, no período pós-pandemia, buscaram transformar em linguagem cênica experiências pessoais e coletivas que atravessavam seus cotidianos. As vivências individuais se somam às conversas que Carolina mantém com mais de 80 mil mulheres em suas redes sociais, onde circulam relatos reais de mães que tentam conciliar cuidado, trabalho, exaustão e autonomia.

“A gente queria se ver. E se ver no palco seria uma rebeldia, porque ninguém estava nos pedindo isso. Era o nosso próprio impulso poético de escrever nossas dores e nossos desejos. Queríamos romper esse isolamento. Transformamos o nosso silêncio acumulado em grito e acolhimento”, afirma a diretora Luciana Navarro. Segundo ela, o processo criativo foi marcado pela autonomia e pela construção coletiva entre mulheres que precisaram abrir seus próprios caminhos. “Tivemos que criar esse caminho juntas e sozinhas”, completa.

Já Carolina Damião conta: "Eu estava fora do mercado de trabalho, por fora do teatro, dos editais, de tudo, completamente imersa na pandemia e no puerpério, sozinha cuidando de uma criança muito pequena. Foi quando a Luciana me disse que eu precisava voltar para os palcos, que o meu trabalho na internet deveria se estender para o teatro, e a gente começou a compartilhar nossas histórias maternas e a criar o ‘Não me chame de mãe’. Dos textos que eu escrevi, o que mais explicita esse meu processo de vida naquele momento da criação é a ‘História para dormir’, que é um poema, na qual a personagem termina dizendo: ‘e viveram invisíveis para sempre’, porque era justamente desse lugar que eu estava querendo sair.”

Elisa é uma personagem ficcional inserida nesse contexto de solidão e sobrecarga, mas carrega múltiplas vozes, reforçando a ideia de que essas mulheres não estão sozinhas. O espetáculo se constrói, assim, como um espaço de identificação, acolhimento e partilha. "Não Me Chame de Mãe” estreou em Maringá (PR), em 2024, viabilizado pelo Prêmio Aniceto Matti, e agora percorre o estado por meio da Lei Aldir Blanc, ampliando o debate sobre saúde mental materna e sobre o papel da coletividade na sustentação da infância.

As apresentações têm o apoio da Prefeitura de Ponta Grossa, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. Após cada apresentação, o público é convidado a permanecer para uma roda de conversa com a atriz, ampliando o espaço de escuta e troca sobre os temas abordados em cena.

Atividade paralela gratuita e aberta ao público:

23/04 - 14h30 - 16h00: Ensaio aberto ao público com vagas limitadas

Local: Cine Teatro Ópera Auditório B

26/04 - 14h30: Podcast com Carolina Damião e Michella França + bate-papo aberto ao público

Local: Cine Teatro Ópera Auditório B

Mais informações sobre essas ações estão disponíveis no Instagram @naomechamedemae.

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