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Opinião

Para matar a sede por informação, Estatística!

* Por: Jeanfrank Sartori - Mestre em Gestão da Informação, especialista em Inteligência de Negócios e bacharel em Administração. Atua na avaliação institucional do Grupo Positivo, em Curitiba (PR)

Para matar a sede por informação, Estatística!
(Foto: Divulgação)
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É quase um clichê em Administração afirmar que a gestão e a tomada de decisão devem ter suporte em dados e informações. Essa obviedade, no entanto, possui sutilezas que frequentemente passam despercebidas e podem causar consequências graves para uma empresa, por vezes irreversíveis.

Afinal, só existe uma coisa pior do que não ter informação: ter informação ruim ou uma “desinformação”. Um estudo publicado na Harvard Business Review estimou que, somente nos Estados Unidos, o prejuízo causado à economia por dados de baixa qualidade é de US$ 3 trilhões, o equivalente a cerca de 16% do PIB anual daquele país ou 4% da produção mundial de riqueza em um ano.

Fato é que a abundância de recursos computacionais trouxe ao mesmo tempo benefícios e armadilhas. Incontáveis são as ferramentas de visualização de dados, comumente chamadas de BI (Business Intelligence, “Inteligência de Negócios”), que se dedicam a agrupar informações e supostamente facilitar sua compreensão por meio da apresentação de gráficos e tabelas-resumo.

Mas será que um simples gráfico da média mensal de vendas é suficiente para avaliar o comportamento do setor comercial? Será que o trabalho dos vendedores é a única variável envolvida? Esses e outros questionamentos remontam a alguns dos perigos do uso inadequado destas ferramentas, muitas vezes (ou quase sempre) sem adequada análise e fundamentação. Para sanar tais deficiências, uma ciência, por vezes esquecida e deixada em segundo plano, é o remédio mais adequado: a Estatística. Afinal, ocupa-se justamente da disponibilização de arcabouço teórico e metodológico capaz de validar conclusões e sustentar a adequada interpretação de diversos tipos de dados e visualizações.

Para ficar num exemplo bastante simples, determina que uma medida de tendência central, como a média, deve vir sempre acompanhada de sua dispersão (o quanto esses dados estão espalhados), como o desvio-médio ou o desvio-padrão. Podemos entender isso imaginando vinte pacientes em um hospital, sendo que dez recebem 1,5 kg de refeições diárias e os demais absolutamente nada (0 kg). Na média, são 750g por indivíduo, o que poderia eventualmente parecer satisfatório, mas, em poucos dias, metade dessas pessoas estarão mortas.

Mas se a Estatística tem um potencial tão grande, por que é tão frequentemente deixada em segundo plano na tomada de decisões? Primeiramente, há uma visão popularmente generalizada de que ela “não funciona”, com origem principalmente em pesquisas eleitorais comumente mal conduzidas, especialmente quando os resultados finais são expressivamente diferentes dos apresentados nos levantamentos. Além disso, conviveu-se por muito tempo com currículos acadêmicos desatualizados nos cursos de graduação, que davam pouca ênfase à aplicação prática da teoria nos contextos organizacionais bem como ao uso de ferramentas tecnológicas mais recentes. A boa notícia é que nos últimos anos, ainda que tardia, essa atualização tem ocorrido de forma mais intensa e célere nas Instituições de Ensino de todo o país que ofertam o curso.

Nas empresas, a sede por informações é tão grande que, por vezes, se bebe cegamente tudo o que aparece pela frente em termos de dados. Mas o gestor prudente deve ter em mente que, antes de tudo, é preciso verificar se o que tem em sua frente é água e não veneno, informação e não desinformação. Para isso, nada melhor que a Estatística.

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