Agronegócio & EconomiaCultura & EventosEmprego & QualificaçãoEsportesGeralObituárioOpiniãoPolíticaPublicação LegalSaúdeSegurançaSem categoriaTecnologiaGuia Comercial
Cultura & EventosEsportesGeralObituárioPolíticaPublicação LegalSaúdeSegurançaGuia Comercial
Publicidade
Opinião

O que o governo não é

* Por José Pio Martins - Economista, é reitor da Universidade Positivo

O que o governo não é
(Divulgação)
Publicidade
"Para começar, o governo não deve agir como um fabricante de flores, mas como um jardineiro cuja função é criar o ambiente para que as flores nasçam e cresçam bonitas e saudáveis. No plano interno, o país tem três entidades econômicas: pessoas, empresas e governo. Quem produz e gera riqueza (no sentido de bens e serviços úteis e consumíveis) são as pessoas e as empresas. Para a execução de bens coletivos e serviços públicos, a sociedade constitui um condomínio (o governo) e elege um síndico (o governante).

A primeira lição em economia é: o governo não dá nada à sociedade que dela não tenha tirado. Quando gasta mais do que os recursos arrecadados em tributos, ele tem de tomar empréstimos nos bancos, cujos fundos disponíveis são os depósitos e aplicações feitos por... pessoas e empresas. O governo não tem recursos próprios para gastar, apenas os recursos que lhe são entregues pelas pessoas e pelas empresas. Nestas eleições andaram dizendo que o crescimento somente é possível pelo aumento dos investimentos públicos. Em parte, é verdade. Mas, a pergunta é: de onde virão os recursos?

Como o governo tem déficits anuais crônicos, se gastar mais, ou ele aumenta impostos, ou corta gastos administrativos e custeio dos serviços públicos, ou faz mais dívidas. Não existe outra opção. Em tese, até há: o governo pode imprimir dinheiro para pagar os gastos. Mas aí, vem inflação que, além de ser um imposto sem lei, destrói o sistema de preços e prejudica o crescimento econômico. Fabricar dinheiro é imprimir papel pintado sem lastro na produção de bens e serviços. Se isso fizesse a riqueza de alguém, não haveria país pobre no mundo.

A segunda lição importante é: o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é feito pelo setor privado, isto é, pelas pessoas e empresas. O governo contribui quando constrói os bens de uso coletivo (caso das rodovias, ferrovias, praças públicas, etc.) que são necessários, porém insuficientes. Ademais, se o dinheiro que o governo usa para pagar suas obras é retirado da sociedade, diminui o dinheiro disponível para consumo e investimento do setor privado.

Terceira lição valiosa: não há sistema produtivo sem a função empresarial, nem nos regimes comunistas mais radicais. A produção de bens e serviços exige a união dos fatores de produção (recursos naturais, trabalho e capital), que não podem se juntar espontaneamente. Alguém tem de reuni-los, decidir o que produzir, o quanto produzir, para quem produzir e coordenar o processo. Essa é a função empresarial, que existe em qualquer sistema, mesmo onde é proibida a propriedade privada dos meios de produção.

Um país onde não existisse a figura do empresário privado, todas as empresas seriam estatais e a função empresarial seria comandada por burocratas, que são capitalistas sem risco, em boa parte ineficientes, opressores e corruptos. No socialismo real, como ocorreu na União Soviética, a economia estatizada funcionou mal, sobretudo porque sem mercado não há preço, sem preço não há cálculo econômico, e sem isso a economia não funciona. Ludwig von Mises produziu farto material provando isso já nos 1920.

A economia estatizada, sem mercado livre, falhou a ponto de Antonio Gramsci, teórico do comunismo, ter dito às esquerdas para abandonarem a ideia de acabar com a propriedade privada, e que a economia deve ser mantida nas mãos do setor privado, com o governo carregando as pessoas e as empresas com tributos para estatizar a saúde, a educação e a cultura, controlar a imprensa, penetrar no meio universitário e cooptar os intelectuais. Para tanto, propunha Gramsci que o governo tomasse 40% ou 50% da renda nacional, e tudo ficaria à mercê do comando do governo.

Em uma sociedade liberal, o papel do governo é outro: é construir um ambiente institucional favorável à criação de empresas, colocar o indivíduo acima do Estado e deixar o cidadão livre para desenvolver seu projeto de felicidade pessoal, com a condição de que respeite a vida, a liberdade e a propriedade de seu semelhante. Nas sociedades civilizadas, o mais importante é saber o que o governo não deve ser e o que não deve fazer, ou seja, a arte de governo implica concentração de poderes, logo, é preciso limitar os poderes do governo.

Compartilhe:

Leia também

O que o Dia Nacional da Silvicultura tem a ver com você?*Por: Eleandro Brun - Engenheiro Florestal, Dr. - Professor da UTFPR Dois Vizinhos, Coordenador da Câmara Especializada em Engenharia Florestal do CREA-PR, Secretário Geral da SBEF (Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais).
Publicidade

Mais Lidas

Prefeitura de Ponta Grossa divulga editais para concurso público com vagas em diversas áreas

Rangel comemora assinatura da ordem de serviço para pavimentação da Estrada do Socavão

Inscrições abertas para Concurso das Princesas da Festa de Ação de Graças 2026

Carreta do Programa “Agora Tem Especialidades” do Ministério da Saúde atende mulheres até 8 de março em Telêmaco Borba

Dentista do Paraná é preso suspeito de cometer estupro em consultório e chácara

Categorias

Agronegócio & EconomiaCultura & EventosEmprego & QualificaçãoEsportesGeralObituárioOpiniãoPolíticaPublicação LegalSaúdeSegurançaSem categoriaTecnologia

Cidades

  • Arapoti
  • Carambeí
  • Castro
  • Correio REGIONAL
  • Geral
  • Jaguariaíva
  • Palmeira

Categorias

Redes Sociais

Hospedado por CloudFlash
Desenvolvido por Flize Tecnologia