
COM ASSESSORIAS - Uma gente simples, daquelas com quem podemos cruzar pelo caminho sem saber quem são, com uma história marcada pelo sofrimento e a alma repleta de sonhos. Esses são os personagens do livro Jambo-Vermelho, que será lançado pelo escritor Mário Sérgio de Melo e a editora ABC Projetos Culturais neste sábado (14), às 15h, na Estação Saudade. O terceiro livro da série dá continuidade à história iniciada em A desgraceira de Tião Pernambuco e Maria Tupinambá (2020) e DesgaЯçada (2024). Jambo-vermelho acrescenta personagens e mergulha ainda mais no drama do casal de retirantes que fugiu da aridez do sertão para se refugiar numa palafita à beira do Rio Roosevelt, no meio da Amazônia.
Para escrever o livro, Mário Sérgio, que é geólogo de profissão, buscou inspiração em tudo o que viveu durante os três meses em que passou embrenhado na floresta quando ainda era estudante, na década de 70. “Muito do que é colocado da Amazônia são coisas que eu vivenciei realmente. Apesar de eu ter passado um período curto lá, pude perceber bem o que era a vida ao longo do rio e ter contato com pessoas de vivências muito diferentes”, conta. Foi neste período também que ele conheceu aquela que iria inspirar a criação da personagem Maria Tupinambá. “A dona Maria da vida real é uma pessoa iluminada e talvez a grande inspiradora dessa história. Sua família acolheu a mim e a outros três colegas lá na palafita deles, na beira do rio Roosevelt, para nos oferecer, num belíssimo domingo de sol, uma canjica de castanha”, lembra, acrescentando que este é um prato único da Amazônia feito com leite da castanha do Pará.
O escritor acredita que uma das cenas mais emblemáticas do livro acontece quando Maria Tupinambá e Tião Pernambuco estão se retirando da seca, das frustrações e das mágoas do Nordeste para entrar na Amazônia. “Quando eles chegam no mercado em Marabá, a Maria se depara com o jambo-vermelho, uma fruta muito bonita, muito suculenta e muito saborosa. Ela achou que aqueles frutos eram sinal de um futuro de prosperidade e superação de todas as necessidades que eles passaram no Nordeste. Por isso, ela guardou as sementes com o intuito de semeá-las onde quer que assentassem moradia para abençoar o local. É uma cena baseada numa experiência real e que acabou dando origem ao título do livro”, comenta.
Diferentes mundos, mesmos sonhos
“O que a escrita dos três livros foi me mostrando é que o ser humano é ser humano seja aonde for; seja no Nordeste, na Amazônia, ou na periferia de São Paulo. As pessoas se adaptam aos diferentes mundos, mas os sonhos e todos aqueles sentimentos que nos enobrecem, estão presentes independente do lugar”, frisa Mário Sérgio. Ele acredita que todas as pessoas possuem um potencial de criatividade, de arte e de sentimento riquíssimo, mas muitas vezes pouco explorado. “Eu gostaria que nas páginas do livro as pessoas enxergassem como a injustiça e os sentimentos mais mesquinhos acabam empobrecendo as possibilidades do ser humano. E que isso fizesse os leitores refletirem se suas condutas na sociedade ajudam a explorar, a empobrecer e diminuir o ser humano; ou se ajudam a emancipar e a enriquecer o ser humano e a sociedade”, reforça.