Investidora do Shark Tank Brasil destaca potencial do Paraná para atrair investimentos em startups
Claudia Rosa participou de evento em Ponta Grossa, com atividades executadas pelo Sebrae/PR em parceria com a Agência de Inovação e Desenvolvimento do município

COM ASSESSORIAS - O Paraná está entre os estados brasileiros com maior potencial para atrair investimentos em startups e negócios inovadores, ao lado de São Paulo e Santa Catarina. A avaliação é da empresária e investidora-anjo Claudia Rosa, que participou como shark convidada do programa Shark Tank Brasil e aponta as políticas e iniciativas de incentivo à inovação como fatores favoráveis ao desenvolvimento de novos negócios no estado. Levantamento da Anjos do Brasil aponta que os investimentos-anjo no país cresceram 4,2% em 2025, somando aproximadamente R$ 919 milhões.
A investidora esteve em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, onde participou de atividades voltadas à avaliação de startups e compartilhou orientações sobre os critérios considerados por investidores na escolha de negócios com potencial de crescimento.
“O Brasil tem potencial gigantesco de crescimento nesse ecossistema de inovação e startups. Estados como o Paraná têm uma preocupação e uma agenda propositiva para alavancar o empreendedorismo e potencial para que o estado passe de três para 10 unicórnios, nos próximos anos. Acredito que o Paraná terá um destaque especial. Acho isso fantástico”, avalia Claudia Rosa.
Nesse contexto, o Sebrae/PR atua no fortalecimento de negócios inovadores. O apoio abrange diferentes etapas do desenvolvimento dos negócios, desde a validação da ideia até a busca por investimentos.
Thaíse Amaral, consultora do Sebrae/PR, explica que empreendedores que desejam atuar no setor têm, na instituição, programas que apoiam nessa jornada, como a trilha de startups - desde a ideação, até o escale-up, o Sebrae Startups e o Capital Empreendedor, que oferecem diagnóstico, capacitações, consultorias, mentorias, orientação sobre valuation e estruturação financeira, além de preparação de pitch e conexão com investidores.
“O Sebrae/PR também promove oportunidades de aproximação, como arenas de pitch e encontros com o mercado. O objetivo é fomentar a criação de startups, aumentar a maturidade e preparar o empreendedor para identificar a melhor fonte de capital, apresentar seu negócio e negociar com mais segurança, sem prometer o investimento, que depende da avaliação e da decisão dos investidores”, explica Thaíse.
Do lado dos investidores, o potencial de crescimento do negócio e o comprometimento dos fundadores estão entre os aspectos observados na avaliação de uma startup. “Os investidores também costumam analisar se o founder é engajado e se está 100% inserido na operação. Ter a certeza de que ele mapeou o mercado e compreende a concorrência também são aspectos relevantes no momento que um investidor decide apostar em uma determinada ideia”, explica Claudia Rosa.
Embora reconheça o ambiente favorável à inovação no Paraná, Claudia Rosa ressalta que a localização da startup não está entre os principais critérios considerados pelos investidores. O potencial de crescimento do negócio, sua estruturação e a capacidade dos empreendedores de se conectar com o mercado têm maior peso nessa avaliação.
“O mais importante é que o founder seja visto, participe de eventos e destaque-se nesse ecossistema. Boas conexões aliadas a um plano de negócios bem estruturado e estratégico, possibilidade de crescimento e coragem são elementos propícios para que sejam notados por aqueles que podem investir”, orienta.
Programa aproxima 17 startups de investidores em Ponta Grossa
A experiência de aproximação entre empreendedores e investidores também foi colocada em prática em Ponta Grossa. No último sábado (24), 17 startups participaram de uma banca de avaliação do Programa Trilhar, iniciativa da Agência de Inovação e Desenvolvimento de Ponta Grossa, que contou com a participação dos investidores Claudia Rosa, Rafael Althaus e Caroline Gurski. O Sebrae/PR é responsável pela execução dos encontros do programa, por meio de contratação realizada pela Agência.
Tônia Mansani, presidente da Agência de Inovação e Desenvolvimento de Ponta Grossa e secretária municipal da Indústria, Comércio e Qualificação Profissional, explica que o programa nasceu de uma lacuna identificada no Vale dos Trilhos, ecossistema de inovação de Ponta Grossa.
“Existem ideias, editais, incubadoras e investidores, mas faltava um caminho estruturado ligando esses pontos. Muita gente tem uma ideia e não sabe como torná-la testável. Outros já têm um produto funcionando e não sabem como chegar a uma incubadora, a um edital ou a um investidor. Por isso o programa tem dois percursos, para dois estágios de maturidade”, lembra.
O Trilhar oferece dois percursos: o Expresso Startup, voltado à validação de ideias, e a Plataforma Startup, destinada a empreendedores que já possuem um produto mínimo viável (MVP) e buscam avançar para a incubação ou captação de recursos. As atividades podem ser realizadas de forma independente ou sequencial. O programa é custeado, nestas primeiras edições, com recursos de convênio entre a Agência e a Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial do Paraná (SEIA).
Leonardo Garbuio Cavalheiro foi um dos 17 participantes do Programa Trilhar que apresentaram seus projetos a investidores. À frente da EcoNota, startup voltada à gestão de resíduos, ele desenvolve uma solução para conectar empresas a cooperativas de reciclagem, facilitando a coleta, a rastreabilidade e a comprovação da destinação dos materiais.
“Essa foi uma das minhas primeiras experiências em uma banca com investidores. Foi uma oportunidade muito importante, principalmente por poder apresentar uma ideia de negócio a pessoas que possuem experiência real no mercado de startups e investimentos. Ter essa oportunidade tão cedo na minha trajetória reforça que não precisamos esperar anos para começar a empreender. Precisamos começar, aprender, validar nossas ideias e ter coragem de buscar oportunidades”, declara.
Entre os avaliadores estava Rafael Althaus, fundador da Laon Ventures, empresa criada em 2025 e sediada em Ponta Grossa. Com experiência no desenvolvimento de startups, ele destaca a importância de iniciativas que aproximem negócios inovadores do mercado de investimentos.
“Acredito muito na importância de iniciativas como essa. Dar visibilidade a startups é abrir portas para empreendedores que, muitas vezes, têm excelentes soluções, mas ainda não possuem experiência, conexões ou recursos necessários para levá-las ao próximo nível”, afirma Rafael.
Outra integrante da banca foi Caroline Gurski, vice-presidente do WIM Angels (Women Investment Movement), rede de investimento-anjo voltada ao empreendedorismo feminino e à inovação tecnológica. Com quase cinco anos de atuação no setor, ela já teve contato com mais de 500 startups.
Segundo Caroline, a participação feminina na liderança desses negócios ainda é limitada, com percentuais entre 19% e 23%. Para ela, ampliar essa presença também é um desafio do ecossistema de inovação.
“É importante que haja ações que fomentem a participação de mais mulheres na área da tecnologia, tanto como empreendedoras como investidoras anjo”, afirma.
Checklist: sua startup está preparada para atrair investidores?
Com base nas orientações dos especialistas, reunimos dez pontos para ajudar quem empreende a avaliar a estruturação de seus negócios e a preparação para buscar investimentos. O checklist não garante a captação de recursos, mas permite identificar aspectos que merecem atenção e desenvolvimento.
( ) Você sabe qual problema sua startup resolve, quem são seus clientes e como a solução gera valor para eles?
( ) Seu negócio consegue testar ideias, aprender com o mercado e adaptar rapidamente o produto ou modelo de negócio quando necessário?
( ) Você conhece o tamanho do mercado, o perfil dos clientes e as oportunidades de crescimento?
( ) Já identificou seus principais concorrentes e os diferenciais da sua solução?
( ) Sua startup tem capacidade de executar o planejamento e transformar ideias em resultados concretos?
( ) Os fundadores estão comprometidos com o negócio, conhecem seus indicadores e participam ativamente da operação?
( ) Você possui um plano de negócios estruturado, com objetivos, estratégias e projeções financeiras?
( ) Se a startup já possui um valuation (avaliação do valor do negócio), ele está fundamentado em dados e premissas consistentes?
( ) A participação de cada sócio, suas responsabilidades e as regras da sociedade estão claramente definidas e documentadas?
( ) Você já buscou orientação e apoio do Sebrae/PR para estruturar, validar ou desenvolver sua startup?
