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Exposição virtual resgata memória da “Copa do Mundo” de Ponta Grossa

Projeto reúne fotografias, documentos e relatos sobre torneio de futebol amador que mobilizou bairros e comunidades de imigrantes entre 1978 e 2000

Exposição virtual resgata memória da “Copa do Mundo” de Ponta Grossa
(Imagem: Divulgação/CMPG)
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COM ASSESSORIAS - Na sessão ordinária desta segunda-feira (10), a Câmara Municipal de Ponta Grossa (CMPG) recebeu, durante a Tribuna Livre, o professor e pesquisador Dr. Robson Laverdi e a pesquisadora Isabela Barbosa, que apresentaram a exposição virtual interativa “Campos da Memória: a Copa do Mundo de Ponta Grossa”.

Resultado de uma parceria entre o Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), o Laboratório Multiusuário de Humanidades Digitais e Inovação (Lamuhdi) e o Museu Campos Gerais, a exposição recupera registros de uma tradição do futebol amador ponta-grossense que, entre 1978 e 2000, transformou bairros e núcleos de imigrantes em verdadeiras “seleções nacionais”, de acordo com a ascendência dos jogadores.

A pesquisa busca preservar e dar visibilidade às memórias construídas em torno das partidas, torcidas e comunidades que participaram do evento. Para Robson Laverdi, a exposição nasceu da união entre pesquisa acadêmica, preservação documental e recursos tecnológicos. “Essa exposição nasceu de três frentes: a pesquisa acadêmica, o acervo e a curadoria do Museu Campos Gerais, e a competência técnica humana e digital do museu”, explicou.

Segundo o pesquisador, a iniciativa também procura recuperar lembranças que permanecem na memória dos moradores, mas que nem sempre foram registradas oficialmente. “Ponta Grossa tem uma memória há décadas da Copa do Mundo, memórias de torcida, de rádio, de televisão, de quem viveu esses momentos e que poucas vezes foram registrados. Transformar essas memórias em exposição é um modo de mostrar que a história não está só nos documentos, mas também na lembrança de quem estava lá”, afirmou Laverdi.

A curadoria reúne fotografias pertencentes ao Fundo Foto Elite, preservadas e digitalizadas pelo Museu Campos Gerais nos anos de 2024 e 2025, com recursos federais da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura. O levantamento também foi complementado por pesquisas em periódicos como o Diário dos Campos, sob guarda do Museu Campos Gerais, e o Jornal da Manhã, conservado na Casa da Memória de Ponta Grossa.

Além de registrar resultados e partidas, a exposição apresenta o futebol amador como um fenômeno social capaz de produzir identidade e pertencimento. Nesse contexto, os jogos funcionavam como espaços de encontro entre diferentes comunidades e ajudavam a construir uma memória coletiva da cidade.

A iniciativa é a primeira exposição virtual interativa do Museu Campos Gerais e tem como princípio a história pública, buscando aproximar a produção acadêmica da comunidade. A interação, nesse caso, não se limita ao uso da tecnologia: o público é convidado a contribuir para a construção da própria exposição, enviando fotografias, relatos e informações que possam auxiliar na identificação de jogadores e partidas ainda sem registro.

Dessa forma, a plataforma busca fazer com que os visitantes também se reconheçam na história apresentada, seja por meio de suas famílias, bairros ou comunidades que participaram da “Copa do Mundo” de Ponta Grossa.

Durante a Tribuna Livre, Isabela Barbosa destacou a importância do reconhecimento da iniciativa pela Câmara Municipal. “Agradeço à Câmara Municipal pelo reconhecimento, que nos enche de orgulho e reforça a importância do registro da nossa memória histórica da cidade”, declarou.

A exposição também integra o projeto NAPI Conectando Memória e Inovação, que reúne mais de 28 instituições em uma rede paranaense formada por universidades estaduais e federais, prefeituras, museus e centros de documentação. A articulação amplia a circulação do acervo e permite que a história de Ponta Grossa seja compartilhada e dialogue com diferentes públicos em todo o Paraná.

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