Alta do trigo
O aumento nas despesas com o trigo, matéria-prima da farinha usada nesses produtos industrializados, ocorrerá na esteira da valorização do câmbio ante o real, considerando que o Brasil precisa importar o cereal para complementar a oferta local.
Zanão explicou que os reajustes de preços dos produtos do portfólio ocorrem todos os anos, durante a entressafra do trigo, mas em 2020 eles serão mais intensos por causa do patamar histórico do dólar.
A moeda norte-americana fechou em alta de 0,27% na quinta-feira, a R$ 5,2565 na venda, registrando ganhos de mais de 30% em 2020.
"O repasse (de custos) deve ser iniciado a partir deste mês... este aumento tende a ser gradual, pois não há espaço para elevar os preços de uma só vez para o consumidor final", disse Zanão.
Segundo ele, as indústrias estão com estoque de trigo e produto acabado para cerca de dois a três meses, a depender do fabricante.
Isso significa que os fabricantes precisarão do cereal importado até meados de setembro, quando começa a colheita da safra nacional.
"Saímos de um dólar de R$ 4 em janeiro para R$ 5,25, uma valorização de 31%. Das 11 milhões de toneladas de trigo consumidas por ano no Brasil, cerca da metade vêm principalmente da Argentina, este ano com 30% de aumento (de preço), em média”, estimou o executivo.
Os preços do trigo no mercado brasileiro seguiram o preço do produto importado, registrando alta no ano cerca de 30% no Paraná (principal produtor brasileiro), oscilando perto de patamares recordes nominais em torno de 1.150 reais por tonelada.
Segundo a associação, a farinha representa em torno de 70% do custo das massas, 60% nos pães e bolos e 30% nos biscoitos.
"Sendo assim, qualquer variação no preço do trigo tem impacto direto para os fabricantes."
Balanço de 2019
A indústria de biscoitos, que responde pela maior participação no faturamento do setor, fechou o ano passado com receita de R$ 18,7 bilhões, aumento de 1,7% ante 2018, e vendas de 1,47 milhão de toneladas, retração de 1,08% em volume.
Em 2019, as indústrias de pães movimentaram um total de R$ 7 bilhões, com aumento de 4,5% na receita, resultante da venda de 537 mil toneladas de produtos, com alta de 3,4%.
Já o mercado de bolos industrializados atingiu R$ 1,1 bilhão em faturamento, 1,5% a mais se comparado com 2018.




