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Cidades/Ponta Grossa

ACIPG sedia apresentação do bairro planejado de Ponta Grossa

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Imagem: Divulgação

COM ASSESSORIAS - A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) sediou, na manhã desta quarta-feira (21), a apresentação técnica do projeto do bairro planejado que deve ser implantado nas proximidades do acesso ao Distrito do Guaragi. O encontro, realizado em formato de café da manhã, reuniu a prefeita Elizabeth Schmidt, vereadores, o presidente da ACIPG, Leonardo Puppi Bernardi, diretores da entidade, empresários e representantes de instituições locais para esclarecer a atual etapa do empreendimento — a inclusão da área no perímetro urbano — e os próximos passos do planejamento. Os participantes receberam um relatório técnico resumido sobre o projeto.

Para o presidente da ACIPG, o modelo segue uma tendência mundial, em que os empreendedores entregam uma área completamente urbanizada e pronta para receber residências, comércios e até pequenas indústrias. "Isso vai permitir que a prefeitura, ao longo das próximas décadas, economize muitos recursos. Serviços públicos que eventualmente não existam lá, como transporte coletivo, saúde e educação, ficam por conta do bairro planejado viabilizar. Geralmente esses bairros já contam com âncoras como hotelaria, escolas e hospitais da rede particular", explicou o presidente.

O presidente lembrou que a ACIPG já organizou uma missão a Guarapuava para conhecer a Cidade dos Lagos, empreendimento de referência no Paraná. "É uma semente que é plantada hoje, mas que se desenvolve ao longo de décadas, como um pinheiro. Começa pequenininha e vai amadurecendo, até se integrar à cidade de uma forma muito harmônica", comparou.

Um bairro para morar, trabalhar e viver

O projeto foi apresentado por Ricardo Pimenta, responsável pelo empreendimento, desenvolvido em parceria com o proprietário da área. Segundo ele, os estudos começaram em 2018 e o projeto já passou por diversas gestões e instâncias do poder público. A proposta mistura diferentes padrões de moradia, comércio, serviços, lazer e áreas de trabalho, com avenidas, ciclovias e corredores verdes planejados antes da ocupação.

"Não dá para ser só empreendimento popular, nem só de alto padrão. A ideia é integrar. É um bairro para morar, trabalhar e viver, não somente residencial", afirmou. "Para fazer uma avenida já pensando em ciclovia, em mobilidade pública, em arborização, só fazendo desde o começo. E para isso precisamos desenhar o plano de ocupação."

Ele destacou ainda o conceito de cidade inteligente, que, segundo explicou, não se resume à tecnologia. "Cidade inteligente não é eletrônica funcionando, é uma cidade feita para as pessoas, onde elas têm tudo próximo e a necessidade de se deslocar longas distâncias é reduzida. A pirâmide etária vai se inverter, e precisamos de um bairro onde a gente consiga andar, viver e trabalhar".

Investimento privado e contrapartidas

De acordo com o empreendedor, os investimentos previstos superam R$ 6 bilhões, considerando a infraestrutura — como estação de tratamento, rede de energia e sistemas de reciclagem e reúso — e os empreendimentos que devem ocupar a área ao longo do tempo, como prédios residenciais e de escritórios, indústrias de baixo impacto, áreas comerciais e parques. "É investimento 100% privado. A função da prefeitura é exigir que seja feito com qualidade", disse.

Questionado pelos vereadores sobre os custos para o município, ele explicou que o empreendedor deve arcar com serviços como transporte coletivo na fase inicial, até que o bairro se torne habitável, além de contrapartidas como qualificação profissional das comunidades vizinhas. "O empreendedor precisa investir até que o bairro se torne habitável. Essa é a parte difícil: investir muito dinheiro para recuperar a longuíssimo prazo."

De acordo com o responsável pelo empreendimento, o projeto já teria sido concebido alinhado aos princípios do Masterplan Ponta Grossa 2043 — educação, saúde, segurança e qualidade de vida. Após a aprovação da inclusão territorial pela Câmara, começam os projetos executivos, o licenciamento ambiental e demais licenciamentos, em um processo técnico estimado em pelo menos dois anos antes da implantação.

"Oito anos esperando"

A prefeita Elizabeth Schmidt destacou o crescimento de Ponta Grossa e a necessidade de planejar a expansão urbana antes que os problemas surjam. "Ponta Grossa era uma cidade pacata e está se transformando. É uma das cidades mais fortes do Paraná e do Sul. Mas não é só tamanho, é qualidade, e nós queremos que essa qualidade continue existindo", afirmou, citando o novo Plano Diretor, em revisão com participação da Câmara.

Ela também ressaltou o impacto de empreendimentos semelhantes em outras cidades. "O que vimos em Guarapuava é magnífico. O Paraná inteiro quer ter um igual, e nós estamos com essa oportunidade na mão agora", disse a prefeita, que pediu aos vereadores atenção ao tema. "Conto com o bom senso e com um olhar muito especial de todos os vereadores. Vamos ter pressa."

O nome oficial do bairro ainda não foi divulgado e deve ser anunciado em etapa mais avançada do processo.