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Saúde

IMC deixará de ser parâmetro para tratamento da obesidade

Agora, diagnóstico de obesidade passa pela detecção e avaliação de outras alterações de saúde.

IMC deixará de ser parâmetro para tratamento da obesidade
Nova avaliação de obesidade não considera somente a relação peso x altura dada pelo IMC. Agora, outras questões de saúde são analisadas. (Foto: Divulgação / André Vianna)
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COM ASSESSORIAS - Por décadas, o Índice de Massa Corporal (IMC) foi usado como principal ferramenta para diagnosticar obesidade e determinar tratamentos. Criado em 1970 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o cálculo simples - peso dividido pela altura ao quadrado - foi amplamente adotado em consultórios médicos e políticas públicas. No entanto, ele sempre gerou questionamentos por parte de especialistas.

O problema? O IMC não diferencia a composição corporal. Uma pessoa com IMC acima de 30, considerado obesidade, pode ter excesso de gordura (seja ela distribuída pelo corpo ou concentrada no abdômen, esta sim muito perigosa à saúde), enquanto outra pessoa, com o mesmo índice, pode ser um atleta com alta massa muscular (massa magra). Também não distingue um idoso, com baixa massa muscular, ou as etnias, como as populações asiáticas, mais propensas a problemas metabólicos mesmo com IMC baixo.

Agora, uma comissão formada por médicos e pacientes, com apoio da revista científica The Lancet, propôs novas diretrizes para diagnosticar a obesidade, reconhecendo-a como uma doença crônica e contínua, e não apenas como um fator de risco.

“O novo modelo avalia a obesidade como uma doença que pode impactar múltiplos órgãos, independentemente da saúde metabólica. É um avanço importante para personalizar tratamentos e encarar o problema com mais precisão”, afirma o endocrinologista André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.

O que muda no diagnóstico da obesidade?

De acordo com as novas diretrizes, o diagnóstico da obesidade clínica não se baseará exclusivamente no IMC. A avaliação passa a considerar múltiplos critérios que incluem:

Excesso de adiposidade: confirmado por medidas como circunferência da cintura ou porcentagem de gordura corporal e como essa gordura está distribuída no corpo.

Impacto funcional nos órgãos: sinais de disfunções em sistemas como o cardiovascular, respiratório, musculoesquelético, reprodutivo, urinário e metabólico.

Limitações nas atividades diárias: dificuldade para realizar tarefas básicas, como andar, tomar banho, ou vestir-se, ajustadas à idade do paciente.

A partir de agora, o médico deve considerar no diagnóstico sintomas como: apneia do sono; insuficiência cardíaca; bem como batimentos irregulares do coração e palpitações; dores de cabeça frequentes; falta de ar; perda de visão; pernas inchadas, bem como coágulos nas veias das pernas (trombose venosa); cansaço; hipertensão; colesterol ou triglicerídeos altos; gordura no fígado (esteatose hepática); diabetes tipo 2; dislipidemia; excesso de albumina na urina e escapes de urina frequentes; linfedema; dores articulares, especialmente nos joelhos e na bacia; problemas reprodutivos em homens e mulheres; menstruação irregular ou ovário policístico; além de problemas de locomoção.

Quando são detectados alguns ou vários destes problemas, deve-se avaliar que eles podem ter sido gerados pelo excesso de gordura. E assim, chega-se ao diagnóstico de obesidade clínica. Esses critérios tornam a abordagem mais abrangente, permitindo diagnosticar casos em que o IMC é enganoso.

Há pessoas que vivem bem com excesso de adiposidade até o fim da vida, pois a gordura corporal não trouxe prejuízos ao organismo. Bem como crianças e adolescentes podem manifestar problemas logo cedo.

Novos estágios da obesidade

As diretrizes também introduzem termos como obesidade pré-clínica e pré-obesidade, que ajudam a categorizar melhor o problema:

Pré-obesidade: estágios iniciais de aumento de peso e adiposidade, mas sem comprometimento significativo da saúde.

Obesidade pré-clínica: excesso de gordura já presente, mas sem sinais evidentes de disfunção nos órgãos.

Obesidade clínica: definida pela combinação de excesso de gordura e sinais claros de prejuízo à saúde, como dores articulares, apnéia do sono ou problemas cardiovasculares.

Essa nova abordagem ajuda a separar obesidade de outras condições, permitindo tratamentos mais direcionados e eficazes. “O diagnóstico da obesidade precisa ir além de números. Devemos olhar para o paciente de forma integral, considerando sua composição corporal, sintomas e qualidade de vida”, reforça o endocrinologista André Vianna.

Com as novas diretrizes, médicos terão ferramentas mais precisas para diagnosticar e tratar a obesidade. Isso pode significar tratamentos mais personalizados, que consideram problemas específicos de cada paciente (respiratórios, musculoesqueléticos, reprodutivos, etc.); maior precisão nas intervenções médicas, evitando considerar saudável uma pessoa com IMC normal, porém com bastante gordura visceral; e prevenção mais eficaz, uma vez que a identificação precoce da obesidade pré-clínica pode evitar que ela evolua e gere complicações graves.

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