05/10 - Dia do EmpreendedorDe boia fria a vendedor de picolé: 12 empresários que começaram do zero e hoje faturam milhões
No dia do Empreendedor, conheça histórias de empresários que encontraram o caminho para construir empresas milionárias

COM ASSESSORIAS - Vender picolé nas ruas, trabalhar como boia-fria, pegar dinheiro emprestado da avó, vender cursos de inglês para complementar a renda ou assumir uma empresa familiar em dificuldades. Antes de comandarem grandes redes, esses foram alguns dos pontos de partida de empresários que hoje estão à frente de negócios milionários no Brasil.
Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025, realizada no Brasil pelo Sebrae e pela Anegepe, cerca de 43,8 milhões de brasileiros estavam envolvidos na criação ou manutenção de um negócio em 2025, o equivalente a 31,6% da população adulta. O levantamento também mostra que ter o próprio negócio foi o segundo maior sonho dos brasileiros, citado por cerca de 40% dos adultos.
O cenário mostra que empreender está longe de ser um fenômeno restrito às grandes capitais ou aos profissionais que já possuem capital e experiência. As histórias a seguir têm origens, setores e modelos de negócios diferentes, mas apresentam um ponto em comum: empresas que começaram pequenas e ganharam escala até se transformarem em grandes operações.
Antonio Carlos Guarini: de vendedor de batatinhas a fundador do Supera, rede que fatura R$ 187 milhões

Antes de fundar o Supera, franquia de estimulação cognitiva, Antônio Carlos Guarini Perpétuo vendia batatinhas na frente da faculdade e tinha lojas de calçados. Formado em Engenharia pelo ITA, encontrou em um desafio familiar a oportunidade de empreender.
Em 2006, ao buscar alternativas para ajudar o filho, que enfrentava dificuldades de concentração na escola, conheceu o ábaco e identificou o potencial da estimulação cognitiva. A experiência o levou a reunir pedagogos e neurocientistas para desenvolver uma metodologia própria, dando origem ao Supera, cuja primeira unidade foi inaugurada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.
O negócio cresceu por meio do franchising e ganhou o reforço da segunda geração da família com a chegada da filha Bárbara Perpétuo à vice-presidência, em 2021. Hoje, a rede soma mais de 250 unidades, já impactou 280 mil alunos e faturou R$ 187 milhões em 2025.
Com metodologia validada por estudo conduzido por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), o Supera planeja implantar ao menos 150 novas unidades até 2028, mostrando como um desafio pessoal pode se transformar em uma oportunidade de negócio.
André Belz: dentista que vendia cursos de inglês para complementar a renda e hoje fatura R$ 85 milhões

Antes de comandar uma rede com mais de 100 unidades, André Belz era dentista e vendia cursos de idiomas para complementar a renda. A atividade despertou seu interesse pelo setor de educação e acabou levando-o a abandonar a carreira original para empreender.
Ao lado dos sócios Renata e Romeu Morais, abriu a primeira Rockfeller Language Center. A rede cresceu com uma metodologia própria focada em conversação e, durante a pandemia, quase dobrou de tamanho com o uso de tecnologia e plataformas digitais.
Hoje, a Rockfeller fatura R$ 85 milhões e projeta abrir mais 15 unidades em 2026.
Ana Medici: De apresentadora de telejornais ao video commerce

Durante muitos anos, a jornalista Ana Medici emprestou seu rosto à apresentação de telejornais e outros programas de TV. Formada também em Economia, ela sempre acompanhou as transformações do mercado e do ecossistema de startups. Essa vivência despertou uma inquietação empreendedora: entender como a tecnologia poderia ir além da audiência e gerar impacto real em negócios, consumo e comportamento.
Foi neste cenário que Ana criou a LiveIn Shop (LIS), startup que já está listada entre as mil brasileiras mais importantes e que transforma vídeos em canais diretos de venda e permite que marcas e varejistas vendam de forma integrada em redes sociais, WhatsApp, RCS, sites e ambientes proprietários, com checkout nativo. A solução resolve desafios comuns aos e-commerces, como o abandono de carrinho e o baixo engajamento, além de proporcionar às empresas um maior conhecimento sobre o comportamento do consumidor.
Alan Ladeia - De vendedor de carros à dono de plataforma de compra e venda de seminovos que já fatura R$250 milhões

Alan Ladeia começou a carreira como vendedor de carros e passou por grandes grupos do setor automotivo antes de identificar, em 2016, uma oportunidade no mercado de seminovos. Foi assim que nasceu a Carflix, inicialmente como uma plataforma digital de intermediação. Durante a pandemia, entretanto, a empresa enfrentou um dos momentos mais difíceis de sua história, com a perda de R$ 5 milhões em aportes previstos, fechamento de unidades e demissão de 40 funcionários.
Para evitar o encerramento do negócio, Ladeia apostou no franchising. O modelo deu certo e, em menos de um ano, oito unidades estavam em operação.
Hoje, a Carflix fatura R$ 250 milhões, tem 30 unidades em operação e 20 em implantação e projeta chegar a R$ 600 milhões em 2026.
Bruna Vasconi: de brincadeira de lojinha a uma rede de brechós que fatura R$ 300 milhões

Aos 13 anos, Bruna Vasconi já brincava de lojinha. Já adolescente, comprava roupas em São Paulo para vender às amigas em Brasília. Aos 19, enquanto cursava Psicologia, ampliou a rede de contatos e passou a comercializar de semijoias, potes herméticos, cosméticos de catálogo até velas (que ela própria fazia) e outros produtos que os clientes pediam.
Perto de se formar e já mãe de dois filhos, decidiu transformar a renda complementar em negócio. Pediu R$ 7 mil emprestados à avó e abriu um brechó infantil, aproveitando roupas e itens dos próprios filhos e das amigas. A primeira experiência durou apenas três meses. Logo depois, Bruna inaugurou a primeira unidade do Peça Rara.
Hoje, a marca conta com mais de 130 lojas, 700 mil fornecedores e recebe cerca de 400 mil peças por mês. O faturamento em 2025 foi acima dos R$ 300 milhões.
Darlan Almeida: De vendedor de picolés a CEO de uma rede de venda de celular

Darlan Almeida começou a empreender ainda criança, vendendo picolés em Santarém, no Pará. Depois, foi camelô, locutor e distribuidor de panfletos. Aos 16 anos, entrou no setor de telefonia com uma pequena assistência técnica de celulares.
Antes de consolidar a Casa do Celular, enfrentou sete tentativas de negócios que não deram certo, experiências que ajudaram a moldar sua visão de gestão. A operação cresceu e posteriormente adotou o modelo de franquias. Hoje, a Casa do Celular possui cerca de 400 lojas no Brasil.
Delfino Golfeto: De boia fria a dono de uma rede de cachaçarias de R$ 110 milhões

Antes de se tornar empresário, Delfino Golfeto trabalhou como boia-fria e se formou em Tecnologia de Açúcar e Álcool. Em 1990, transformou sua paixão pela cachaça em negócio e começou de maneira literalmente doméstica: na garagem de casa, em Tupã, no interior paulista.
O restaurante tinha apenas 13 mesas e cerca de 900 rótulos de cachaça. Três anos depois, Golfeto decidiu transformar o conceito em franquia.
Hoje, a Água Doce possui 60 unidades em seis estados e faturou R$ 110 milhões em 2025.
Fábio Roth: de vendedor de picolés a líder de grupo de lavanderia com 800 unidades

Aos 14 anos, Fábio Roth já trabalhava nas ruas vendendo picolés. Filho de uma mãe que criou cinco filhos, também vendeu mel e roupas de porta em porta antes de conseguir seu primeiro emprego formal.
Mais tarde, conciliou trabalho, família e faculdade de Administração, experiência que ajudaria a formar sua visão sobre gestão. Em 2016, assumiu a reestruturação da 5àsec no Brasil e, posteriormente, criou a LavPop.
Hoje, como fundador e CEO do Grupo FROTH, está à frente das marcas 5àsec e LavPop, que juntas somam 800 lavanderias em todo o Brasil.
Filipe Sisson: 0 “Rei das Piscinas”

Filipe Sisson começou a trabalhar ainda adolescente na pequena empresa de piscinas da família. Aos 19 anos, após um acidente sofrido pelo pai, assumiu a gestão da companhia. Em cinco anos, a empresa saiu de uma situação de falência para a liderança do mercado brasileiro, com as vendas saltando de 700 para mais de 3 mil piscinas por ano.
A trajetória levou Sisson à criação da iGUi, que se tornou uma operação internacional. Hoje, a marca está presente em mais de 54 países, já vendeu 1,4 milhão de piscinas e reúne mais de 1.200 operações entre fábricas, lojas e franquias nos cinco continentes.
Luciana Melo: da infância entre lavouras de café à criação do Café Cultura, uma rede de cafeterias com mais de 50 unidades

A relação de Luciana Melo com o empreendedorismo começou ainda na infância, entre as lavouras de café da família, em Andradas, no sul de Minas Gerais. Depois de construir carreira em multinacionais, como a Gillette, ela decidiu empreender ao lado do marido, Joshua Stevens.
Os dois encontraram uma pequena cafeteria à venda na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. O estabelecimento funcionou por apenas uma semana antes de o casal fechar as portas para reformular completamente a operação.
Em 2004, nascia o Café Cultura. Hoje, a rede possui mais de 50 unidades e comercializa mais de 7 milhões de xícaras de café por ano.
Reinaldo Varela: Da cozinha da infância à construção de uma das maiores redes de comida brasileira

Em 1984, Reinaldo Varela deixou Mirandópolis, no interior paulista, e se mudou para São Paulo. A saudade da comida da infância inspirou o primeiro restaurante, aberto com os primos em Pinheiros e baseado nas receitas da avó e nas lembranças das fazendas onde cresceu.
Depois de assumir o negócio ao lado da esposa, Nani Scaburi Varela, Varela apostou na expansão e, posteriormente, no franchising. O resultado foi a transformação do restaurante em uma marca nacional.
Hoje, o Divino Fogão possui mais de 260 pontos de venda no Brasil e cresceu 22% no primeiro semestre de 2026.
Rogério Gabriel: quando a falência virou ponto de partida de negócio que faturou R$ 500 mi em 2025

Rogério Gabriel conhece de perto o fracasso empresarial. Em 1990, criou a Precisão, rede de informática que chegou a oito lojas e figurou entre as 100 maiores empresas de TI do país.
Com a transformação do mercado e o avanço do e-commerce, porém, a empresa encerrou as atividades.
Em vez de abandonar o empreendedorismo, Gabriel transformou a experiência em aprendizado. Em 2004, criou a Prepara Cursos, inicialmente voltada ao ensino de informática. O negócio cresceu, incorporou outras marcas e deu origem ao Grupo MoveEdu.
Hoje, a holding reúne mais de 1,2 mil escolas, já formou mais de 6 milhões de alunos e faturou R$ 500 milhões em 2025.
