
COM ASSESSORIAS - Redes municipais de ensino de 12 cidades do Paraná e de Santa Catarina participam, ao longo deste ano, de um projeto que usa diagnóstico, formação de gestores e acompanhamento de indicadores para apoiar planos de ação na educação pública. Ao todo, o Semeando Educação 2026 envolve 270 escolas e deve impactar mais de 40 mil estudantes nos dois estados.
O projeto é realizado pela Klabin, com parceria técnica da Civicus, e busca apoiar secretarias municipais de Educação na definição de prioridades, no uso de dados e no acompanhamento de ações voltadas a acesso, trajetória escolar, aprendizagem e inclusão.
A iniciativa ocorre em territórios de atuação da Klabin. No Paraná, participam Telêmaco Borba, Sapopema, Imbaú, Reserva, Ventania, Curiúva, Tibagi e Ortigueira. Em Santa Catarina, o trabalho contempla Lages, Otacílio Costa, Correia Pinto e Ponte Alta.
“Investir na formação de gestores escolares é uma forma de fortalecer a educação pública nos territórios. O Semeando Educação reforça nosso compromisso com o desenvolvimento local, tendo a educação como um vetor de transformação social”, ressalta Maria Yoshioka, gerente de Responsabilidade Social e Relações com a Comunidade da Klabin.
Para Guilherme Galvan, sócio e CEO da Civicus, o projeto mostra uma mudança na forma como o investimento social corporativo pode contribuir para o fortalecimento de políticas públicas nos municípios. “O investimento social entra em outra fase quando deixa de ser apenas apoio pontual e passa a contribuir para decisões mais estruturadas. Na educação, isso significa olhar para dados, entender gargalos e apoiar redes públicas na construção de planos que possam ser acompanhados ao longo do tempo”, afirma.
Dados para orientar decisões
Iniciado em janeiro, o Semeando Educação 2026 segue até dezembro com etapas de diagnóstico, formação de gestores, planejamento estratégico, construção de painéis de acompanhamento e reconhecimento de boas práticas. O ciclo prevê dois momentos de formação, um no primeiro semestre e outro no segundo, além do monitoramento da implementação dos planos de ação das redes.
Entre os pontos previstos para acompanhamento estão indicadores de acesso, trajetória e aprendizagem, como matrícula na Educação Infantil, distorção idade-série, reprovação, abandono, alfabetização, aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática e IDEB. O projeto também observa dimensões ligadas à Educação Especial, ao Atendimento Educacional Especializado, ao bem-estar docente e ao clima institucional.
A escolha por esses eixos busca ampliar a leitura sobre qualidade educacional. Além de acompanhar desempenho e fluxo escolar, o projeto olha para barreiras de acesso, inclusão, condições de trabalho dos profissionais da rede e desafios enfrentados por professores e gestores no cotidiano das escolas.
Para Galvan, indicadores não substituem a experiência das equipes locais, mas ajudam secretarias, diretores e professores a transformar percepções do dia a dia em prioridades, acompanhar a evolução das ações e corrigir rotas ao longo do processo.
A formação também busca partir da realidade de cada rede. “Quanto mais qualificados e com mais conhecimento estiverem nossos professores e diretores, melhor será o futuro das crianças e dos adolescentes. A educação prepara os estudantes para toda a trajetória escolar, e esse futuro começa agora”, explica Carmen Zanotto, prefeita de Lages.
Além da ação pontual
A proposta dialoga com uma discussão mais ampla sobre o papel do investimento social privado em áreas de interesse público. Em vez de avaliar projetos apenas pelo volume de atividades realizadas, número de participantes ou entregas, a mensuração busca entender que capacidade fica instalada nas redes depois da iniciativa.
Em Otacílio Costa, município catarinense que já participou de outro ciclo do Semeando Educação, a Secretaria Municipal de Educação relata que o programa contribuiu para a formação de gestores e para a elaboração de planos de gestão escolar ainda utilizados pela rede.
Na educação, esse acompanhamento envolve engajamento das secretarias, fortalecimento da gestão escolar, uso de dados na tomada de decisão e implementação dos planos estratégicos. A expectativa é observar se as redes passam a utilizar indicadores, metas e painéis de forma mais sistemática.
Na avaliação de Galvan, esse tipo de desenho ajuda a evitar que projetos sociais sejam tratados apenas como vitrine reputacional. A pergunta central, segundo ele, não é apenas quantas ações foram realizadas, mas que decisões foram melhoradas e que aprendizados podem seguir sendo usados pela rede depois do projeto.