Correio dos Campos

Drogas: um problema nas estradas

28 de dezembro de 2018 às 17:21
Quase um terço dos caminhoneiros dirige sob efeito de drogas pesadas. (Divulgação)

COM ASSESSORIAS – Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em geral, o consumo de drogas causa cerca de meio milhão de mortes anuais. Uma das classes que mais utilizam drogas entorpecentes são os caminhoneiros. O uso é tão disseminado que, de acordo com o Ministério Público do Trabalho, quase um terço dos caminhoneiros dirige sob efeito de drogas pesadas. Entre as drogas mais consumidas pela classe está a anfetamina, popularmente conhecida como “rebite”, que ajuda a reduzir a sensação de fadiga ao acelerar o funcionamento do cérebro.

“Apesar de proporcionar uma falsa sensação de estímulo e bem-estar, as consequências do uso dessas substâncias podem ser irreversíveis para a saúde”, comenta o gerente de produção do Diagnósticos do Brasil, Fabiano Mateus, mestre e doutor em toxicologia e análises toxicológicas. Além disso, o rebite também aumenta a pressão arterial, levando o usuário a pensar que possui mais concentração e maior capacidade física. “Esses sintomas são muito perigosos, pois em vez de aumentar os reflexos, a substância os diminui – o que pode ser fatal enquanto se está dirigindo”, explica Fabiano. Outra droga perigosa também se popularizou entre caminhoneiros: a cocaína, que se tornou a mais utilizada pela classe. O gerente acrescenta: “para diminuir o tempo gasto entre os trajetos e estar ligado 24 horas por dia, muitos caminhoneiros optam por utilizar substâncias mais pesadas, já que, com uso contínuo, os rebites podem não apresentar o efeito desejado”.

Com o objetivo de melhorar a segurança no trânsito, em março de 2015 foi sancionada a Lei Federal 13.103, também conhecida como Lei do Caminhoneiro, que tornou obrigatório o exame toxicológico para a emissão ou renovação da carteira de motoristas nas categorias C, D e E. Desde o início da nova legislação, apesar da redução significativa no número de acidentes que vem ocorrendo, um levantamento da Polícia Rodoviária Federal mostrou que, em 2017, foram registrados 89.318 acidentes graves nas estradas, o que resultou em 6.244 mortos e 83.978 feridos. Das fatalidades, estima-se que 48% foram provocadas por caminhões.

De acordo com a gerente do laboratório DB Toxicológico, Ana Carolina Gimenez, exames toxicológicos são formas de prevenir acidentes e aumentar a segurança na estrada. O exame pode ser realizado apenas por laboratórios devidamente credenciados pelo DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito) e permite a detecção do uso de drogas, mesmo que o consumo não tenha sido imediato. “É possível identificar substâncias como maconha, cocaína, heroína, anfetaminas, ecstasy, metanfetaminas, entre outras, presentes no organismo por um período mínimo de 90 dias. A coleta é realizada em laboratório de análises clínicas, de maneira simples e indolor, a partir de cabelos ou pelos do corpo“, explica Ana Carolina.

São necessários aproximadamente 120 fios de cabelo, com quatro centímetros de comprimento, ou um chumaço de pelos equivalente a uma bola de algodão de dois centímetros de diâmetro para a realização do exame. “Apesar da maior parte da droga e seus metabólitos serem rapidamente eliminados do organismo, uma parte é incorporada ao cabelo. O tempo e frequência de uso levam a uma maior ou menor concentração dessas substâncias. Por isso, há precisão no exame e a possibilidade de traçar um histórico de uso”, explica Ana Carolina. Além da anfetamina e da cocaína, outras substâncias frequentemente encontradas nos exames dos motoristas são maconha e ecstasy, drogas alucinógenas que causam uma falsa sensação de prazer.