Correio dos Campos

Qual planeta queremos deixar para os nossos filhos?

* Por Everson Krum, vice-reitor da UEPG
11 de Maio de 2021 às 18:00
(Foto: Divulgação)

Os últimos dias foram marcados por vários acontecimentos relacionados ao meio ambiente – a reunião da Cúpula do Clima convocada pelos EUA foi o de maior destaque entre eles. Em nível local, tivemos a inauguração da primeira usina de Biogás em Ponta Grossa, empreendimento inédito no Brasil. Todos esses fatos nos dão a oportunidade de refletir sobre o que temos feito pelo meio ambiente e sobre qual planeta queremos deixar para as próximas gerações.

Os acontecimentos que citei são eventos macro e estão relacionados a decisões de estados e governos em prol do meio ambiente. Mas nós podemos (e devemos) contribuir nas menores ações, nas atividades individuais e naquelas que acontecem no âmbito da nossa casa. No que diz respeito às ações individuais, cito aqui a importância de diminuir o uso do carro e a emissão de CO2 – neste caso podemos optar por ir ao trabalho a pé (quando possível), de carona ou usando o transporte público.

Além do deslocamento, o ato do consumo também pode ser regulado de uma forma que agrida em uma escala menor o meio ambiente. Ao ir ao mercado podemos, por exemplo, abrir mão das sacolas de plástico e optar pelo uso de caixas de papelão ou sacolas descartáveis. Também podemos, enquanto consumidores, optar por produtos que usem um sistema de refil que pode ser reposto e diminuir a produção de embalagens.

Para além dos hábitos de consumo e transporte, é ainda fundamental pensar de forma sustentável quando tratamos do lixo que produzimos. Separar os dejetos que podem ser reciclados é dever de todos os cidadãos – as novas gerações, através do ensino escolar, tem aprendido isso. A própria construção da usina de Biogás em Ponta Grossa é uma resposta a um problema de mais de meio século em nossa cidade: o aterro do Botuquara.

Tratando especificamente de Ponta Grossa, temos ainda um desafio local que é muito importante: o cuidado com nossos arroios. Nossa área urbana é cortada por arroios que têm sido cada vez mais destratados nas últimas décadas e a isso se soma o problema do abastecimento: há uma demanda grande por água potável e já notamos que o nosso sistema de fornecimento de água tem um gargalo a ser superado já nos próximos anos.

Para uma parcela da população que tem essa condição financeira, a substituição da energia elétrica convencional por energia limpa é primordial – o uso de painéis solares é uma saída viável. Mas essa medida precisa ser institucionalizada para custar menos e se tornar mais acessível a todos os setores da sociedade, afinal de contas o uso de energia limpa é uma necessidade e não deve se tornar um luxo para aqueles que têm condições para tanto.

Diante deste cenário de desafios e demandas a serem atendidas, a universidade ganha papel essencial. Temos dentro da própria UEPG professores, pesquisadores e alunos que podem contribuir com esse desafio social: nos tornarmos cidadãos mais sustentáveis. Essa mudança não se trata de uma alteração ditada pela moda, mas sim uma necessidade. Precisamos mudar para deixarmos um planeta melhor para as próximas gerações.